Impasse

Priorizando o atual elenco, direção do Brasil diz não ter recursos para pagar funcionários demitidos

Diretor de marketing do Xavante, Tiago Rezende atrela incapacidade do clube de quitar rescisões e direitos de demitidos ao baixo número de vendas de camisa promocional

Foto: Gustavo Pereira - DP - Em contato com a reportagem, os funcionários assinantes da carta reforçam a urgência da situação e pedem resolução rápida

Por Gustavo Pereira
gustavo.pereira@diariopopular.com.br 

Os nove funcionários demitidos pelo Grêmio Esportivo Brasil em novembro, que publicaram comunicado conjunto no último sábado (31), mantém o apelo para que o clube pague os valores de rescisões e direitos trabalhistas. Pelo lado do Xavante, o diretor de marketing, Tiago Rezende, cita a falta de recursos como razão da demora para quitar as obrigações. 

Ao Diário Popular, Tiago relaciona a incapacidade financeira ao “problema estrutural que o Brasil tem há muitos anos”, mencionando o legado de direções anteriores, e por último ao número reduzido de vendas do Manto Xavante, camisa promocional colocada à venda pelo clube por R$ 699,00 e que também salda mensalidades de sócio. A prioridade da atual gestão, liderada pelo presidente Evânio Tavares, é evitar o atraso de salários do elenco e da comissão técnica. 

Por enquanto, o primeiro objetivo tem sido cumprido, assim como o segundo, envolvendo os funcionários que continuaram prestando serviço ao Rubro-Negro. O terceiro tópico da lista é justamente o pagamento da rescisão e dos direitos dos demitidos. Ainda conforme Rezende, foram comercializadas somente 250 unidades do chamado Manto Xavante – a meta era vender 700. 

Demissões para “evitar colapso” 

Em contato com a reportagem, os funcionários assinantes da carta reforçam a urgência da situação e pedem resolução rápida. “Toda a revolta deles com relação à situação do momento, a gente concorda plenamente. Nunca deixaram de cumprir suas obrigações. São pessoas queridas e, acima de tudo, seres humanos”, diz Tiago. Ele continua ao dizer que atrasos como esse acontecem “há muitos anos, uma prática comum dentro da organização”. 

O dirigente explica que as demissões não têm a ver com temas técnicos dos profissionais. “Havia pessoas lá há anos com salários maiores do que a realidade do clube pode pagar. Tanto é que não vinha sendo pago. O clube tinha uma despesa operacional muito maior do que a sua realidade de hoje”, defende. 

Rezende explica que, sob a ótica da direção, duas alternativas se apresentavam: diminuir o custo operacional do clube para honrar os compromissos ou continuar da mesma forma, supostamente sem condições de arcar com os salários. 

“Ou a gente não demitia ninguém e não pagava ninguém, como vinha acontecendo, ou a gente demitia alguns funcionários estratégicos, pela questão financeira, e a gente conseguia não fazer esse doping financeiro. O Brasil arrecadava um valor e tinha quase o dobro de custo operacional, gerando dívidas futuras. Era uma decisão muito importante”, prossegue. 

Dívidas bloqueiam receitas 

Alguns dos funcionários demitidos receberam parte dos valores a que têm direito. Entretanto, conforme Tiago, o dinheiro saiu do bolso de pessoas ligadas à direção do clube que, diante de problemas pessoas específicos, principalmente envolvendo saúde, se sensibilizaram para ajudar. 

A demora para acertar as pendências com os trabalhadores se enquadra no contexto histórico de dificuldades financeiras do Brasil. O diretor de marketing deixa claro que o foco das receitas em 2023 é o futebol, e que quase R$ 1,3 milhão foi reduzido do orçamento. O condomínio de dívidas, acionado quando funcionários entram na Justiça em busca de direitos, bloqueia grande percentual das receitas: 25% da arrecadação de cotas e patrocínios fica retido justamente por causas trabalhistas, e depois mais 20% não caem no caixa rubro-negro devido a causas cíveis. 

“Com relação às rescisões trabalhistas, óbvio que são prioridades, mas são prioridades em cima do que sobra do sustento que é a atividade principal do clube. Não adianta dizer que vamos pagar como prioridade a rescisão dos funcionários, por mais que me doa falar isso, e não conseguir honrar com os atletas, com as pessoas que estão aqui”, explica Tiago Rezende. 

Relembre 

No último dia de 2022, nove ex-funcionários do Brasil manifestaram insatisfação com a direção xavante por atraso de três meses de salários, férias, décimo terceiro proporcional, rescisão de contrato, fundo de garantia atrasado e fundo de garantia rescisório.

Os colaboradores dispensados integravam os departamentos de futebol, categorias de base, administrativo e comunicação. Eles alegam que o motivo da publicação é o não cumprimento de nenhuma obrigação por parte do clube, e que a direção nunca entrou em contato para esclarecimentos ou tentativa de acordo. Segundo a nota, a promessa repassada pelo presidente Evânio e demais dirigentes afirmava que até o fim de 2022 os débitos seriam quitados.

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